História do Reiki

Assim eu ouvi…

“Desejo começar contando a história do Reiki, não como acontecimento histórico ou, em outra palavras, como dados ou informações, mas como uma parábola que contém muitos ensinamentos da natureza humana de integridade, cura e Reiki propriamente dito.

Não faz muito tempo, talvez há 100 anos, havia um homem que vivia no Japão e tinha uma ardente pergunta:……..será que nós que estamos interessados no caminho espiritual podemos curar?

Mikao Usui retirou- se para dentro de si mesmo e examinou essa pergunta.A primeira coisa que fez foi ler todos os livros acessíveis…sobre habilidade de cura com as mãos..

Apesar de estudar durante longos anos e ter conversado com muitas pessoas, não encontrou o segredo e nem sequer achou uma pista; resolveu continuar a busca no seu interior. Num mosteiro Zen, submeteu-se ao monge que era o superior local. Quando digo, ele se submeteu, quero afirmar que ele reconhecia esse monge como seu professor e mentor. E assim agiu, tornando-se aluno.Não um aluno do monge, mas um aluno de si próprio. Conversava com outros monges, falava com seu mentor e lia os Sutras que forneciam ligações e que o levaram mais para dentro de si.Assim como nós teríamos feito, releu as passagens dos livros varias vezes e foi descobrindo significados, possibilidades para se abrir mais e mais, até que sentiu estar preparado para receber e aceitar tudo o que o Universo tinha para oferecer-lhecomo presente.

Dessa forma, escalou uma montanha e lá ficou sentado durante 21 dias. Durante a última purificação, abrindo seu conhecimento mais profundo, estava como uma flor de lótus desabrochada, pronto para receber o que o céu tinha para lhe oferecer. Na última noite, caiu em transe e recebeu símbolos visuais e, como eu sinto, também cenas visuais. Ao mesmo tempo, ao ver estes símbolos em sua mente, sabia no seu interior, na parte mais profunda do seu ser, para que estes símbolos serviam, como utilizá-los e de que parte de seu interior ele eles vinham. Após o transe, retornando lentamente para o nível consciente abriu os olhos, se espreguiçou: estava emocionado, excitado e sentia-se pronto para levar essa dádiva montanha abaixo.

Descendo a montanha ao encontro de seu mentor ia vivendo varia experiências que tinham a ver com o que denominaria REIKI. Essas experiências e curas vinham de um lugar dentro de si de pura alegria e tinham surgido de sua receptividade; não havia outra motivação que simplesmente tocar nas pessoas e aguardar o que aconteceria. Esta é uma característca da inocência e simplicidade que para mim são muito importantes na prática de REIKI. Então ele foi falar com o velho monge, sentou-se e compartilhou tudo o que acontecera. Ao se despedir para levar REIKI para a “sociedade verdadeira” , seu mentor ainda lhe disse: não se esqueça de curar as pessoas no seu todo, não só no físico – você deve pensar também na alma.”

Uma das histórias mais interessantes de Usui são da época que ele passou nas favelas de uma cidade. Durante esse período, impunha suas mãos sobre as pessoas e as curava de suas enfermidades e sofrimentos. Pelo seu contato com elas, arrumava trabalho e acreditava na possibilidade de ajudar a sociedade a apoiar esses indivíduos, transformando suas vidas. Naturalmente, alguns anos mais tarde percebeu que essas mesmas pessoas voltavam às favelas e ao lhes perguntar o porquê, elas tinham varias explicações para justificar que pedir é mais fácil que trabalhar pelo seu próprio sustento. O que Usui aprendeu com isso é que não havia compreendido bem o que o velho monge dissera sobre o tratamento do espírito. Assim terminou com essa atividade, retirou-se novamente para dentro de si para descobrir qual deveria ser seu próximo passo e como poderia compartilhar o presente que lhe fora doado. Ele se retirou para mais uma contemplação.
O que sabemos a seguir de Usui – existe essa maravilhosa história sobre ele – é que um dia ele saiu com uma tocha acesa no meio da multidão. As pessoas lhe perguntavam :” velho monge, você realmente deve estar louco ! nós não precisamos de luz , é dia claro”. Ao que Usui respondia:” Mas tudo que vejo aqui fora é escuridão; quem desejar saber mais sobre esta luz, venha me a este lugar a tal hora.”

O que Mikao Usui fez foi oferecer seu presente às pessoas interessadas, que traziam consigo motivação e que estavam numa etapa de suas vidas em que também reconheciam na escuridão a luz divina.

Usui conheceu nessa época Chujiro Hayashi; também ele tinha uma ardente questão. Tinha trabalhado na Marinha Japonesa e descoberto que queria algo maior para sua vida, algo que apoiasse a vida, que devolvesse coragem para as pessoas viverem. Encontrou Mikao Usui e sentiu que era exatamente o que procurava. Não sabemos nada sobre a forma de relacionamento entre os dois, quantos alunos Usui tinha na época, quais tinham a mesma motivação que Hayashi, mas , recuando na história da nossa linhagem é ele a pessoa que compartilhava as inspirações, os dons e o profundo reconhecimento de Usui. Começaram, então, a instruir as pessoas a buscar e descobrir respostas para suas perguntas dentro de si mesmas.

Assim, penso eu, do relacionamento entre Usui e Hayashi surgiu a forma de REIKI como conhecemos hoje: “SISTEMA USUI DE CURA NATURAL”, os 5  Princípios do Reiki, o tratamento básico e as iniciações. Hayashi parece ter sido um clínico;, com isso quero dizer que gostava de documentar e sistematizar as experiências num sistema. Fundou uma CLÍNICA no Japão que orientou durante vários anos, onde tudo ficava documentado, tanto o serviço prestado internamente quanto os atendimentos realizados nos domicílios.

Para essa clínica Hawayo Takata foi conduzida bastante doente por volta de 1935. Após 3 ou 4 tratamentos, sabia que esse era seu caminho e reconheceu que também tinha uma ardente questão. Seu esposo falecera e a deixara com 2 crianças pequenas; estava só no Havaí , havia perdido o contato com a finalidade de sua existência.Takata precisava de um sentido para sua vida e queria encontrar algo que pudesse apoiar o meio ambiente para que suas filhas crescessem sadias e fortes.

Quando entrou em contato com Reiki, ficou surpresa com as sensações corpóreas que vivenciou e decidiu firmemente aprender a técnica. Refletindo percebeu que voltando para o Havaí não seria possível retornar ao Japão para ser tratada. Queria levar Reiki para si e para suas crianças. Após varias semanas, nas quais vivenciou processos decisivos, lhe foi permitido receber o primeiro grau de Reiki.

Após ter concluído o primeiro nível, entrou em acordo com Hayashi: ela iria morar com sua família praticando durante um ano aprendendo, principalmente, a usar sua intuição e ouvir a voz de seu interior.

Pouco antes de retornar ao Havaí, foi lhe concedido aprender o 2º grau . No seu retorno praticava  assiduamente Reiki e finalmente convidou seu Mestre para que viesse conhecer o trabalho que havia montado.Um dos receios de Hayashi era que , ao deixar o Japão, uma parte do Sistema Usui de Cura Natural se perdesse, a natureza da prática. Hayashi permaneceu alguns meses e durante sua estadia deram vários cursos e nesse período Takata foi iniciada Mestre do Sistema.

Dois anos mais tarde Takata teve um sonho em que viu seu Mestre vindo num quimono branco. Ela ficou preocupada porque no Japão branco é a cor da morte; embarcou no primeiro vapor para visita-lo.

O momento do Japão aderir à 2ªGrande Guerra estava próximo, Hayashi tinha pressentimentos do que iria acontecer não apenas ao seus país mas também em relação aos EUA. Passou varias orientações para Takata de como se comportar.Faleceu nessa época; tinha a forte sensação de que não queria participar na guerra, porque seria incoerente com a consciência que tinha naquele momento – não suportaria a pressão que seria imposta como cidadão japonês.

Após sua morte, Hawaio Takata herdou o privilégio e o compromisso de nutrir e manter sagrada a chama do Sistema Usui de Cura Natural no ocidente.

Durante anos construiu sua clínica particular. Após a Guerra mudou-se para Honolulu, onde manteve outra clínica durante muitos anos. Nessa época minha mãe se casou e mudou-se para os Estados Unidos.

Lá eu nasci. Na infância e juventude tive grandes lições de minha avó; eu a amava e mantínhamos conversas freqüentes.

Por ocasião de meu trigésimo aniversário, organizei uma grande festa para meus amigos mais queridos. Fomos às montanhas do Colorado onde eu morava e celebramos numa festa de final de semana. Bem tarde da noite, mais precisamente, já de madrugada afastei-me da fogueira de acampamento e dos meus  amigos, fiquei em pé no meio de um prado na montanha e contemplei as estrelas refletindo sobre minha vida. Percebi então, que nunca tinha imaginado celebrar meus 30 anos; desde a época da escola primária nos EUA, tinha aprendido medidas de  segurança em caso de emergências nucleares e sempre acreditei que seríamos bombardeados pelos russos, ou que algum acidente aconteceria comigo – ou algo parecido.

Assim estava eu olhando as estrelas e refletindo que minha vida até aqui parecia mais uma brincadeira, que não havia contribuído com nada significativo. Decidi então procurar que me interessasse e oferecesse a oportunidade de expressar-me e colaborar com a humanidade: essa seria minha ardente busca.

Meses mais tarde minha mãe me ligou perguntando se queria acompanhar minha avó, então com 79 anos, durante seus cursos de verão e outono porque havia vários lugares que desejava visitar. Durante 2 meses resisti; finalmente minha avó me ligou:”preciso comprar as passagens amanhã, você virá junto?” Animada por uma companheira de quarto que comentou que a qualquer momento eu poderia retornar, eu disse sim.

Este foi meu SIM para o Reiki e , mais, sim para ser Mestre do sistema Usui de Cura Natural  e sim para entrar numa fase completamente nova em minha vida do que era naquela época.
Algumas semanas mais tarde deixei o Colorado e fui para Iowa encontrar minha avó. Lá iniciou-me como Mestre, ensinou-me a efetuar as iniciações e disse:”Agora você pode ajudar-me e continuar meu trabalho.”

Não foi fácil e certamente não foi sempre só amor e luz. O que experimentei nesse caminho foi : a máxima alegria, a mais profunda solidariedade, uma maior serenidade , uma avassaladora comcpaixão e ….descobri a mim mesma. Conheço minha alma e isso é um grande presente”

(trechos do texto sobre a História do Reiki contada por Phyllis Furumoto, neta da Sra. Takata , em 1993 durante  viagem a Portugal)

Sra. Takata faleceu em 1980; 2 anos mais tarde os 22 Mestres que havia formado foram convidados para uma comemoração póstuma no Havaí; 17 compareceram e aceitaram o compromisso  de manter o Sistema na tradição como uma forma de encontrar o caminho interior e descobrir respostas para nossas ardentes questões., os demais 5 mestres formaram outras escolas com diferentes propostas americanas.